EN PT Peregrinação Lisboa-Fátima (Caminho do Tejo) Mãe_Set15  

 Peregrinação Lisboa-Fátima (Caminho do Tejo) Mãe_Set15
“Acompanhar a minha mãe até junto da MÃE” - Setembro 2015

Já tive a sorte de poder fazer o Caminho algumas vezes.
Foi-me permitido acompanhar valentes peregrinos e ver de perto as dificuldades que tiveram que ultrapassar, superando-se física e espiritualmente e a imensa alegria que todos partilhávamos na chegada junto de NSRF.
Se aprendi alguma coisa é a de que o Caminho é de todos e para todos.
Foi crescendo em mim o desejo de tentar realizar uma peregrinação com a minha mãe.
A D. Amélia tem 69 anos e um historial clinico alargado onde se inclui fibromialgia e recentemente um AVC.
Primeira reação à ideia: “Deus me livre. Eu gostava muito mas não sou capaz”.
Algum tempo depois: “Achas que sou capaz? Eu subo as escadas para casa e tenho que me sentar a descansar!”
Durante os treinos: “A direito ou a descer ainda consigo mas nas subidas…”.
Já durante a peregrinação disse-me que se lembrou de uma frase dita por NSRF e mencionada pelo Papa João Paulo II “Não tenhais medo” e que se entregou nas mãos de Nossa Senhora.
O Rodrigo Cerqueira, Mestre que vive o Caminho e para os caminhos como ninguém, diz muitas vezes que “Quando há uma vontade há um Caminho” e foi com esse espírito que, aos poucos, fomos chegando, cada dia mais perto, da Mãe.
Na pior das hipóteses passávamos algum tempo, alguns dias, juntos, mãe e filho.
Não existem mesmo duas peregrinações iguais e realizar este caminho de forma mais lenta revelou maravilhas que me escaparam das outras vezes.
Hoje tenho a opinião de que 5 dias é pouco para fazer Lisboa/Fátima.
Sete dias é muito bom, permitindo realizar etapas de 20 KM.
Pensei que levaria 9 dias, foi possível fazer em 8 porque passados os primeiros dias de habituação ao caminho e às muitas horas a caminhar a D. Amélia começou a dizer “hoje estamos a andar mais lentos” ou nos últimos dias “vamos tão devagar” ao que lhe fui respondendo que não, a velocidade foi sempre a mesma ela é que foi readquirindo capacidades de caminhar fazendo com que tudo lhe parecesse mais fácil.
Não fez uma única bolha, comprovando que onde devemos investir é num bom calçado (um numero acima do habitual, “partido” em caminhadas anteriores), em meias de caminhar e na lubrificação dos pés antes de calçar as meias. Importante também os exercícios antes e depois de caminhar e sempre que possível/necessário massagens musculares ao deitar.
Cruzamo-nos (uma das maravilhas do caminho) com cerca de 30 peregrinos (todos estrangeiros de diferentes nacionalidades) cada um com a sua história e caminho.
Inesquecível o encontro com um grupo de 3 Canadianos que iam no Caminho até Santiago e que logo no primeiro dia uma das peregrinas partiu um braço e passou a noite no hospital. Braço ao peito com as talas metálicas lá ia ela, de mochila às costas. Fomos perguntando por ela no caminho e íamos ouvindo os relatos de que tinha passado e continuava a caminhar.
Alguns passavam por nós logo de manhã, num ritmo impossível de acompanhar, deixando a D. Amélia um pouco triste a dizer “eu gostava de conseguir caminhar assim”… o que eu lhe respondia era “deixe-os ir, vamos chegar onde eles chegam” e quando ao jantar nos encontrávamos com eles era uma alegria. Em Santarém ainda estivemos grande parte da noite a ajudar a tratar pés de peregrinos com menos sorte que nós, mas que no dia seguinte queriam continuar, uns para Fátima e depois Santiago e outros diretos para Tomar/Santiago.
Encontrar pessoas como o Sr. Francisco, o nosso querido zelador do Caminho, o Sr. Basílio e a esposa de Arneiro das Milhariças, ele com 89 e ela com 85 anos, o Sr. Joaquim e a D. Eufémia de Minde, ele com 87 e ela com 84 anos, rijos, lúcidos, de uma simpatia e um bem receber incríveis, são exemplos vivos de bem-estar com a vida, que motivam e transformam a forma de olhar para o mundo e para o futuro.
Ficam por contar muitas outras experiências e histórias, que tornaram esta peregrinação especial, única e inesquecível, mas que esperamos partilhar nos nossos encontros de peregrinos, onde já estará por direito próprio a D. Amélia, a minha mãe peregrina.
Agradecimentos:
Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima pelo excelente trabalho realizado nos últimos anos na marcação, preservação e divulgação do caminho.
Grande abraço ao Mestre Rodrigo Cerqueira pela amizade, constante preocupação e por ter conseguido ir ter connosco à capelinha.
Um obrigado especial a todos os irmãos peregrinos pelo apoio e sobretudo pelo muito que me ensinaram e permitiram aprender.
Muito obrigado a todos os que nos foram apoiando e deixando mensagens no facebook (eu até nem sou grande utilizador, como sabem…), que ao serem vistas por nós reforçavam a vontade de seguir em frente.
E um agradecimento muito especial à minha mulher e aos meus filhos por perceberem e apoiarem esta pequena aventura e à minha irmã pela ajuda e força.

Façam-se ao Caminho!
Bom Caminho!
Ultreya!